Cadernos Adenauer

Vol. 6
Mundo Virtual
ISBN 85-7504-060-X
Rio de Janeiro, 2003
156 páginas


O cidadão virtual

Autor: Michel Miaille

Resumo: O que define o cidadão virtual? Para responder a uma questão tão complexa, é realizada uma ampla discussão neste artigo.

Questiona-se até que ponto a Internet pode realmente ser instrumento de democratização.

Vê-se aqui afirmar um velho debate que separa aqueles para os quais a renovada técnica permitirá abolir distâncias, fronteiras e problemas de comunicação e aqueles para os quais a técnica não é jamais neutra e reforça, ao contrário, as desigualdades entre aqueles que a ela possuem acesso e aqueles que dela são excluídos.

A Internet, transformada em espaço de cidadania, não é apenas um fórum de discussão: na democracia, o debate é, tão somente, a primeira fase de um processo que conduz à decisão.

Como a democracia do cidadão virtual pode chegar à tomada de decisão? Se, aparentemente, as coisas podem ser simples, na verdade, temíveis dificuldades se apresentam.

Perspectivas (virtuais) para a educação

Autor: José Manuel Moran

Resumo: No artigo são apontadas várias perspectivas tecnológicas para o futuro da educação. Acredita-se que caminhamos para formas fáceis de vermo-nos, ouvirmos-nos, falarmo-nos, escrevermo-nos a qualquer momento, de qualquer lugar, a custos progressivamente menores.

Com as tecnologias cada vez mais rápidas e integradas, o conceito de presença e distância se altera profundamente e as formas de ensinar e aprender também.

Pondera-se, porém, que infelizmente todos os avanços tecnológicos continuarão privilegiando uma parte da população brasileira.

A maior parte das escolas continuará repetindo fórmulas pedagógicas ultrapassadas.

Conclui-se que é preciso por em prática novas experiências, dado que estamos vivendo uma etapa fascinante em que precisamos reorganizar tudo o que conhecíamos em novos moldes, formatos, propostas, desafios.

Os educadores que compreenderem isso colherão mais rapidamente os resultados em valorização e realização profissional, emocional e econômica.

Cibercrime

Autor: Peter Grabosky

Este artigo fornece um panorama dos crimes relacionados aos computadores (computer related crimes).

Doze variedades de crimes são consideradas:

  1. Roubo de serviços; acesso não autorizado aos sistemas computacionais;
  2. Comunicações objetivando conspirações criminosas; pirataria e falsificação de informação;
  3. Disseminação de materiais com conteúdo ofensivo;
  4. [Rastreamento cibernético];
  5. Extorsão;
  6. Lavagem de dinheiro eletrônico;
  7. Vandalismo e terrorismo eletrônico;
  8. Fraude em telemarketing;
  9. Interceptação ilegal;
  10. Fraude em transferências de recursos eletrônicos.

A informática a serviço do processo

Autores: Flávio Ernesto Rodrigues Silva / Leonardo Dias Borges

Resumo: O artigo apresenta como a informática pode oferecer um cipoal de soluções, cujo resultado implica atribuir maior velocidade ao processo, sem subverter qualquer princípio que o norteia.

Argumenta-se que é preciso deixar de lado a pecha da lentidão, para promover um novo tempo, com o simples uso da informática, dado que o mundo moderno exige soluções modernas.

Não faz sentido, no mundo de hoje, o exagerado zelo burocrático no trato com as questões diárias do processo.

De nada adianta a criação de juizados especiais de pequenas causas trabalhistas, cíveis, criminais ou federal, se logo após a criação desses juizados, ficam imediatamente assoberbados com milhares de processos, o que culminará na enorme morosidade de que hoje padece toda a Justiça.

Conclui-se que é preciso ousar.

Comunidades virtuais:

O caso da Associação Brasileira de Ensino do Direito

Autores: Roberto Fragale Fillho, Alexandre Veronese.

Resumo: A lista de discussão da ABEDi (Associação Brasileira de Ensino do Direito) é analisada no presente artigo porque ela constitui um possível e consistente exemplo de construção de um modelo de sociabilidade virtual, que encerra importantes possibilidades democráticas.

Em outras palavras, procura-se entender a dinâmica desse espaço virtual, ou seja, compreender como ele se constitui e implementa suas ações, quem são seus protagonistas e quais são as suas agendas, assumindo que a identificação dessas questões irá permitir apreender como se constrói a agenda institucional da comunidade virtual da ABEDi e, por via de consequência, especular sobre as reais possibilidades de uma democracia eletrônica.

Informação científica virtual

Autores: Elisabeth Rondelli / Ingrid Sarti

Compreender como a presença da Internet possibilitou a produção da informação científica virtual e alterou o cenário em que a divulgação científica vinha tradicionalmente se processando é o objetivo deste artigo.

Em relação às formas de se produzir e divulgar a ciência, são explicitadas as seguintes características da Internet:

  1. Repositório de informação;
  2. Demanda por novas formas de sistematizar a informação;
  3. Nova maneira de se ter acesso à informação e divulgar a ciência;
  4. A emergência de novos tipos de mediação entre os cientistas e o público;
  5. Novo ritmo de produzir e divulgar informação e conhecimento;
  6. Modo peculiar dos agentes do conhecimento interagirem com vistas a produzi-lo e aprimorá-lo;
  7. Nova forma de se realizarem as relações entre as diferentes áreas e temas do conhecimento;
  8. Nova forma de mediação entre a ciência e a política.